O que Kanye West quis dizer em seu discurso no VMA 2015?

Neste último domingo, dia 30 de Agosto, Kanye West recebeu no MTV Video Music Awards 2015 o prêmio Video Vanguard Award pela sua contribuição à arte do videoclipe e à indústria fonográfica. Merecido: Kanye, além de sucesso de vendas, é ícone de uma geração que ouve/assiste sua arte (polêmica) de forma única.

A questão é que, durante seu discurso ao aceitar o prêmio, em meio a uma sinceridade e reflexão auxiliada por entorpecentes (ele admitiu!) West pronunciou uma passagem que diz muito sobre a realidade da sociedade em que tentamos viver:

“I still don’t understand award shows. I don’t understand how they get five people who work their entire life (…) to come, (…) and have the opportunity to be considered a loser. I don’t understand it, bro!”

” Eu ainda não entendo premiações. Eu não entendo como eles pegam cinco pessoas que trabalham sua vida inteira (…) pra vir (…) e terem a oportunidade de serem considerados perdedores. Eu não entendo, cara!”

O rapper, de forma nada ingênua, deixa explícito uma realidade da nossa cultura que chega cada vez a sua extremidade: valorizamos a concorrência e celebramos um grande vencedor em detrimentos a tantos outros bons lutadores.

O discurso me fez lembrar de um documentário que assisti recentemente: I Am, de Tom Shadyac. Assistam! O diretor, que no auge de seu sucesso sofre uma crise existencial, entrevista diversas mentes importantes da filosofia e ciência do mundo todo para, entre muitos assuntos, entender a essência do ser humano. Em um ponto ele questiona: “É da essência do ser humano ser competitivo? Lutar contra os outros para garantir um sucesso que deva ser só seu? Ser egoísta?”. Bom… o filme dá diversos argumentos científicos, antropológicos, sociológicos e filosóficos que na verdade não. Na verdade, nossa essência é baseada na compaixão e na cooperação. Não somos uma espécie forte o bastante para sobrevivência selvagem, e por isso a vida em sociedade, cooperativa, é nossa vantagem para a conservação. Nossas atitudes competitivas são, na realidade, culturais, impostas por diversas ideologias que ao longo dos anos nos tornaram “egoístas” e “vaidosos”.

O que quero dizer é: Kanye West e sua reflexão ao vivo em um dos maiores, se não o maior, evento jovem televisionado do mundo, só estava tomando consciência de uma realidade que lhe parece muito injusta. Ele não é o único. Chegamos ao pico da cultura da competição e individualidade, e agora estamos repensando o coletivo: tendências cooperativas como a economia compartilhada, consumo colaborativo e até crowdfunding demonstram uma reflexão e reorganização (lenta, sim, mas crescente) desses preceitos culturais.

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Thiago tem 25 anos, é comunicador e acredita que marketing é pra tudo e todos. Aquariano. Up Tempo. Amante da música, do entretenimento, da arte e da cultura pop. Movido por novidade! @thicerqueira

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