Por que o conceito SEE NOW, BUY NOW tem deixado a indústria da moda louca

Pra nós, entusiastas do mundo da moda mas leigos sobre os bastidores da indústria, sempre pareceu estranha a ideia de que as grandes apresentações de coleções de roupas das marcas fossem apresentadas 6 meses antes de podermos comprar as peças, não? No verão, as grandes semanas de moda estão exibindo suas criações para o próximo inverno, e vice versa. É assim que sempre funcionou, mas o sentimento de que “tá longe a hora que eu vou poder comprar e usar aquela roupa” sempre esteve presente.

Existe um motivo pra que isso aconteça: a indústria precisa se programar para produzir as peças. Ter um “cheiro” da percepção do público do que foi apresentado nos desfiles é um termômetro ideal para não sair fabricando peças que vão encalhar nas lojas, certo? Faz sentido. Mas isso parece antiquado se você quer que a geração “I want what I want when I want it” compre suas roupas.

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Num mundo da rapidez digital, das compras on-line e entregas em poucos dias, onde eu posso ter o que eu quero em pouco tempo, surgiu o conceito “see now, buy now” que está invadindo o mercado da moda.

Se eu vi uma roupa que eu amei naquele desfile que assisti no live streaming da minha marca favorita, eu quero compra-la AGORA. Antes isso não era possível. Agora tem começado a ser!

Nos Estados Unidos, marcas como Tom Ford, Burberry, Tommy Hilfiger e Ralph Lauren começaram esse ano a criar seus grandes desfiles (verdadeiros shows) com o conceito: peças apresentadas ali podiam ser comprados logo após a exibição. E adivinha: SOLD OUT. A Burberry chegou a ter peças totalmente vendidas em seu ultimo fashion show. A Tom Ford teve seu maior dia de vendas logo depois de seu show em Nova York.

O problema é que a indústria ainda não está tão preparada para o novo conceito.

A filosofia representa rearranjar calendários de produções de coleções e, acredito, isso não deve ser nada fácil. Nesse SPFW que ocorre essa semana, Reinaldo Lourenço e Glória Coelho cancelaram suas participações por não conseguirem se adaptar nesta edição para o novo conceito que foi importado pelo evento.

Mas a mudança faz muito sentido, não acham? Não só do lado do consumidor, justamente porque tem mostrado que tem gerado retorno.

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Thiago tem 25 anos, é comunicador e acredita que marketing é pra tudo e todos. Aquariano. Up Tempo. Amante da música, do entretenimento, da arte e da cultura pop. Movido por novidade! @thicerqueira

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