TRENDY REVIEW para Tartarugas até lá Embaixo

Oi gente, eu sou a Alana (resumindo um pouco: ariana, publicitária, 26, mãe de gato, louca dos signos) e desde que li “O Código da Vinci” e o primeiro “Harry Potter” aos 13 anos, virei a louca dos livros também. Faz um tempo que desacelerei na leitura e queria voltar para esse mundo, e só agora em 2018 essa resolução está saindo do papel. Então, pensando em um win win, pensei em escrever uma coluna mensal para o blog sobre um livro que eu ler. Assim incentivo meu hábito de voltar a ler e divido uma resenha cheia de opinião com vocês (e eventualmente com uma reflexão, como foi nesse caso).

Sobre a escolha do livro, na verdade foi ele quem me escolheu. Eu assino o Turista Literário (pra quem não sabe o que é e como funciona, acesse aqui) mensalmente e esse livro chegou no pacote de Dezembro, fui espiar a introdução e de cara já gostei da história pelo contexto da personagem. De uns 3 anos para cá, algumas pessoas do meu convívio se abriram comigo sobre saúde mental. Escutei e digeri muita coisa pela primeira vez, mas não tinha embarcado em nenhuma conversa tão profunda e processo de empatia como a que esse livro me proporcionou. Como boa louca dos signos, depois de tantos sinais ficou difícil ignorar que era a hora perfeita para começar a coluna… Espero que gostem!

“Posso resumir em três palavras tudo o que aprendi sobre a vida: a vida continua” – Robert Frost

John Green vem com mais um livro e o da vez é para abordar o tabu desse novo século: saúde mental.
Se você tem algum problema ligado à isso, leia para se identificar, ganhar forças sobre ele e continuar lutando SEMPRE.
Se você suspeita que possa ter, leia para entender os conflitos que podem estar crescendo dentro de você e conseguir captar os sinais com antecedência.
E se você não tem, leia pela empatia extremamente necessária, pelos ensinamentos e pela reflexão que ele pode te trazer.

Começo pelo final do livro, bem no final mesmo, ele escreve nos agradecimentos:

“Pode ser um caminho longo e difícil, mas os transtornos mentais são tratáveis. Há esperança, mesmo que seu cérebro lhe diga que não.”

O livro conta a história de Aza, uma adolescente com TOC (sigla para transtorno obsessivo compulsivo, para ler mais sobre clique aqui) que está no colegial e vive com a mãe, após a morte repentina e triste de seu pai.

A trama da história gira em torno de três eixos:

  1. Os conflitos internos de Aza com a intrusão e dificuldade de sobreviver e coexistir com sua doença durante uma das piores fases da vida de um ser humano: a adolescência.
  2. O desaparecimento de um milionário da cidade que ela e sua melhor amiga decidem “investigar”.
  3. A amizade entre Aza e Dayse, sua melhor amiga de infância inseparável.

A partir daqui, te alerto sobre a presença de alguns spoilers e de textão.
Se você é daqueles que gosta de ter uma primeira impressão por si só – pare por aqui!
Ou se você for daqueles que não suporta muitos caracteres – volta para o Twitter! Brincadeira, mas verdade seja dita: ainda tem bastante coisa aqui embaixo.
Leia se ainda não estiver convencido de que o livro vale a pena, ou para saber minha opinião ou só para deixar a sua opinião por aqui também, vou adorar ler também.

Abordando o primeiro tema: Além de ter que lidar com a perda do pai, uma mãe preocupada, o amadurecimento da amizade com a velha amiga e a escolha da faculdade e planos futuros, Aza se vê encurralada pelos seus pensamentos intrusos de TODAS as formas possíveis. A menina não consegue comer, dormir, estudar, falar, abraçar ou beijar na maior parte do tempo sem pensar na possibilidade de várias bactérias e infecções tomando seu corpo. O jeito que a narrativa em primeira pessoa descreve os conflitos chega a ser torturante, como se houvesse uma segunda pessoa dentro dela e as duas estivessem se digladiando para ver quem domina o pensamento e ação final. Essas batalhas trazem a agonia e o arrepio do momento das espirais de Aza até à pessoa mais insensível que você pode conhecer, é realmente impressionante e chocante ao mesmo tempo.

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Sobre o segundo tema: Essa empreitada investigativa promove o reencontro de Aza com Davis, filho do milionário desaparecido e colega de acampamentos infantis de verão, com quem ela tenta um relacionamento amoroso. Davis também perdeu a mãe na infância e vivia com seu irmão mais novo e o pai que desaparece repentinamente em uma noite, enquanto está sendo investigado por crimes de fraude e corrupção. O irmão sofre claramente com o sumiço do pai e Davis não sabe como lidar com esse turbilhão que o atinge versus o sentimento de solidão e responsabilidade impostos. O garoto só encontra certo conforto desabafando seus pensamentos e sentimentos em blogs, se aventurando e desbravando a área de astrologia ou quando está com Aza.

Falando neles, não poderia deixar de ressaltar o romance desse casal teen incomum, que tem uma profundidade sentimental ímpar. A atração principal de Aza por Davis vem das mesmas cicatrizes e desajustes que ele demonstra com os conflitos que vive, ela aprecia os defeitos do garoto, enxergando a si mesma em várias situações.

“Qualquer um pode olhar pra você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu.”

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“Nossos corações estavam partidos nos mesmos lugares. Isso é parecido com amor, mas talvez não seja exatamente a mesma coisa.”

Ela tenta se permitir viver um relacionamento que traz um sentimento crescente e incrementado pelo jeito tímido de se relacionar e o respeito que Davis demonstra por ela em relação ao TOC, o que faz com que ela queira desafiar seus pensamentos para atender ao carinho que cresce por ele.

“Tanta gente exalta a beleza dos olhos verdes e azuis, mas havia uma profundidade nos olhos castanhos de Davis que simplesmente não existe nas cores mais claras, e o olhar dele me fez sentir como se houvesse alguma coisa que valesse a pena ver também no castanho dos meus olhos.”

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“Em inglês se usa uma expressão estranha, in love, que seria algo como estar imerso no amor, como se o amor fosse um mar em que mergulhamos, ou uma cidade em que moramos. Não se usa essa expressão para mais nenhum sentimento – não se está em uma amizade, ou em raiva, ou em esperança. Só é possível estar imerso no amor.”

Uma passada rápida sobre o terceiro tema: Aza e Dayse são inseparáveis desde os primeiros anos de escola. Em questão de personalidade elas são praticamente opostos, enquanto Dayse é extrovertida, nerd e aspirante a escritora de fan fics de star wars, Aza é introvertida, desinteressada e reclusa. Sabemos o quanto as pessoas mudam com o passar dos anos e o amadurecimento que as fases da vida  apresentam. É um pouco disso que as meninas vivem durante o livro, a hora do divisor de águas e da tomada de decisão sobre manter uma amizade de infância apesar do ser humano que aquela pessoa pode estar se tornando, obviamente isso traz o desafio aceitação de qualidades e defeitos de cada uma e da reciprocidade e sintonia, após uma briga com direito a discussão e acidente de carro.

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Como John Green sempre será clara e demarcadamente John Green, já não se espera mais por um final totalmente feliz e sim por lições valiosas de vida quando o livro está para acabar. O desaparecimento, que no fim fica em segundo plano por conta da força do primeiro assunto, é solucionado. E a história do meio para o fim se desdobra com o transtorno de Aza ganhando mais poder sobre ela, beirando o limite do pior que poderia acontecer para depois, aos poucos, começar a voltar aos eixos – isso bem no final! – então preparem o coração e a cabeça: Esse é um dos livros que vão te fazer refletir sobre como você vive sua vida, quanto poder você dá aos pensamentos (positivos ou negativos) e quantas pessoas andam por aí com muitos monstros dentro do “armário” todo dia, sem conseguir fugir.

“O problema dos finais felizes é que ou não são realmente felizes, ou não são realmente finais.”

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MUITO ariana, publicitária, 26, mãe de gato, louca dos signos e dos livros.

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